REFLEXÕES E DECISÕES COMPARTILHADAS

Car@s amig@s e parceir@s do Barracão Teatro,
Gostaríamos de compartilhar um assunto que tem tomado nossas reflexões e nos parece bastante importante.

Gostaríamos de compartilhar uma reflexão que nos acompanha há tempo. Em 2015, durante as pesquisas sobre o circo-teatro que resultou em “Zabobrim, o rei vagabundo, nos deparamos com questões postas por espectador@s preocupad@s e interessad@s com sua representação nas artes cênicas. O maior retorno que recebemos foi em relação à cultura negra.

Mesmo sabendo que existem outras: mulher, trangêner@s, empregadas domésticas, pobreza etc, ampliamos esta discussão através de representantes do movimento negro e de lá pra cá estamos tentando compreender nosso papel, como artistas, produtor@s e espaço cultural, dentro destas questões. Nos perguntamos como ampliar o acesso ao que fazemos no Barracão Teatro, uma vez que nos interessa incluir e não queremos que isto seja apenas um discurso.

Resolvemos abrir o procedimento que utilizamos em relação aos ingressos dos espetáculos, que chamamos, “no chapéu” - quem tem mais distribui para quem tem menos – para nossos cursos também. Acreditamos que os trabalhos que nos remuneram melhor, podem assegurar os trabalhos que têm menos ou pouco recurso para isso. Quando fazemos ingressos no chapéu é porque acreditamos nisso. Quando propomos bolsas de estudo no chapéu, é porque continuamos acreditando nisso.

Portanto, estamos ampliando o chapéu para a Oficina Dramaturgia da Cena, que pretende proporcionar, em sua primeira edição, Bolsas no Chapéu para Afrodescendentes. Sabemos que esta é uma pequenina ponta de um imenso iceberg, mas através dela queremos entender como conseguiremos aliar a necessidade de manter o Barracão Teatro em atividade, de remunerar o trabalho de seus profissionais e ao mesmo tempo, incluir a diversidade sócio cultural em seus projetos e realizações. Esperamos que esta ação seja a inspiração de outras ações e de diversos grupos.
Tiche Vianna